Há precisamente um ano deu-se a falência de um grande banco na América, o Lehman Brothers, que ia provocando o colapso geral do sistema financeiro internacional. Este foi o maior abalo financeiro desde a Grande Depressão, iniciada em 1929, e enregelou as trocas comerciais à escala global e os empréstimos às empresas não financeiras e às famílias. Foi o pontapé de saída para a primeira recessão global sincronizada de que há memória.
Esta falência produziu três efeitos: o reconhecimento reforçado do papel singular da banca no mundo económico em geral e a confirmação de que na economia capitalista de mercado nada funciona com um sector financeiro disfuncional; a resposta, rápida e convergente - como nunca acontecera antes a uma tal escala - de bancos centrais e governos, para evitar o pânico, estabilizar o sistema e permitir o regresso gradual à normalidade, com reforços de capital público aos bancos vulneráveis e de empréstimos a taxas de juro a preço de saldo; e, finalmente, a certeza de que é preciso reformar as regras de funcionamento e a regulação de toda a actividade financeira internacional, sob pena de voltarmos à mesma crise profunda daqui a alguna anos.
Em Portugal, a acção do Banco de Portugal e do ministério das Finanças foi rápida, suficiente e evitou o pior. Mas a conta final ainda está por apurar. Agora que foi lançada à discussão pública uma proposta de reestruturação do sistema de supervisão do nosso sector financeiro, convinha que todos aqueles que têm algo a dizer sobre o assunto,não fiquem convenientemente calados. Se o fizerem perderão qualquer legitimidade para se queixarem no futuro.
Empate técnico entre América e Ben Laden
Seis meses depois da sua primeira mensagem da era Obama, Ben Laden voltou a dirigir-se ao sucessor de Bush na Casa Branca. E para lhe sugerir que retire do Iraque e do Afeganistão, afirmando que os Estados Unidos, tal como aconteceu com a União Soviética, irão sair derrotados do conflito na Ásia Central. Mais: promete que, em caso de retirada, terminará com os ataques; de contrário manterá uma guerra de usura em todas as frentes possíveis. Colocada num site islâmico e divulgada poucos dias depois do oitavo aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001, a mensagem-vídeo de 11 minutos apela ao Presidente americano para se "libertar do medo e do terrorismo ideológico dos neoconservadores e do lobby israelita" que domina a Casa Branca. Explica ainda que os ataques de há oito anos, que fizeram quase três mil mortos em território americano, aconteceram para punir os EUA pelo seu apoio a Israel.
Analisada por peritos árabes em terrorismo, a mensagem tem algo novo: não contém ameaças de atentado, não refere os "mártires" do 11 de Setembro e revela fragilidade por parte do líder da Al-Qaeda, o que indicia que este pode estar na área onde as tropas paquistanesas desenvolvem operações contra os radicais, ou seja, no vale de Swat. E esta última mensagem pode bem ser uma espécie de trégua do líder terrorista. Porque, afinal, oito anos após o atentado mais mortífero da História, continuamos com um empate técnico. Nem a América voltou a ser atacada no seu território, nem o líder da Al-Qaeda foi capturado.
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