Afeganistão..................................................................
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
entre a faca e a parede
O fim da maioria absoluta do PS coloriu o novo mapa dos círculos eleitorais, tradicionalmente só rosa-laranja, pois tanto o CDS (a surpresa destas eleições) como o BE elegeram deputados em mais de metade do País.
Sócrates pode sorrir, apesar de ter perdido meio milhão de votos e, sobretudo, a maioria absoluta que lhe permitia governar à sua maneira: venceu à direita e à esquerda. Falhou a reedição da maioria absoluta de 2005, mas esse resultado tinha sido invulgar, porque em 2005 o PSD só ganhou na Madeira e em Leiria - e, agora, naturalmente, Viseu, Aveiro ou Vila Real voltaram ao estatuto de bastiões laranjas. Mas o resto do mapa nacional (apesar da taxa de desemprego, do protesto dos professores, do caso Freeport), mesmo pintalgado pelos pequenos, que elegeram deputados onde menos se esperava, continua a ser rosa.
O resultado de Manuela Ferreira Leite, após o triunfo nas europeias que as sondagens "escondiam", é uma das marcas deste triunfo socialista. Quando "chegou a hora da verdade" , como se lia nos seus cartazes, teve apenas mais sete mil votos que Santana Lopes (embora ainda faltem contar os do estrangeiro). E se a líder fala nas três eleições deste ciclo - venceu para o PE e espera manter a tradição de ganhar as autárquicas (até porque em concelhos como Lisboa, Porto e Coimbra o PSD está coligado com o CDS) - os barões dificilmente resistirão a pedir-lhe contas após as municipais.
E, contrariando todas as sondagens, o outro vencedor da noite foi o CDS. Pouco importando se beneficiou ou não de algum eleitorado laranja desencantado, Paulo Portas até ultrapassou as suas expectativas: não só voltou a ser a terceira força política, com um resultado acima dos dois dígitos, como elegeu deputados em círculos "improváveis" (Coimbra, Faro, Madeira) e tornou-se o único pequeno a fazer maioria com o PS.
Em contrapartida, à esquerda da esquerda, apesar dos discursos de Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa, as vitórias sabem a pouco - e Sócrates ganhou aos que pareciam ir beneficiar das megamanifestações da CGTP. O BE ultrapassou o meio milhão de votos e ganhou dimensão nacional, elegendo em metade dos círculos do Continente. O PCP subiu em votos e elegeu mais um deputado. Mas só juntos (num país sem tradição de frentes de esquerda) podem garantir maioria ao PS.
Agora, tudo está em aberto, com Sócrates a poder hesitar entre Portas e Louçã-Jerónimo. E os tempos que aí vêm são para quem gosta da política pura.
Sócrates pode sorrir, apesar de ter perdido meio milhão de votos e, sobretudo, a maioria absoluta que lhe permitia governar à sua maneira: venceu à direita e à esquerda. Falhou a reedição da maioria absoluta de 2005, mas esse resultado tinha sido invulgar, porque em 2005 o PSD só ganhou na Madeira e em Leiria - e, agora, naturalmente, Viseu, Aveiro ou Vila Real voltaram ao estatuto de bastiões laranjas. Mas o resto do mapa nacional (apesar da taxa de desemprego, do protesto dos professores, do caso Freeport), mesmo pintalgado pelos pequenos, que elegeram deputados onde menos se esperava, continua a ser rosa.
O resultado de Manuela Ferreira Leite, após o triunfo nas europeias que as sondagens "escondiam", é uma das marcas deste triunfo socialista. Quando "chegou a hora da verdade" , como se lia nos seus cartazes, teve apenas mais sete mil votos que Santana Lopes (embora ainda faltem contar os do estrangeiro). E se a líder fala nas três eleições deste ciclo - venceu para o PE e espera manter a tradição de ganhar as autárquicas (até porque em concelhos como Lisboa, Porto e Coimbra o PSD está coligado com o CDS) - os barões dificilmente resistirão a pedir-lhe contas após as municipais.
E, contrariando todas as sondagens, o outro vencedor da noite foi o CDS. Pouco importando se beneficiou ou não de algum eleitorado laranja desencantado, Paulo Portas até ultrapassou as suas expectativas: não só voltou a ser a terceira força política, com um resultado acima dos dois dígitos, como elegeu deputados em círculos "improváveis" (Coimbra, Faro, Madeira) e tornou-se o único pequeno a fazer maioria com o PS.
Em contrapartida, à esquerda da esquerda, apesar dos discursos de Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa, as vitórias sabem a pouco - e Sócrates ganhou aos que pareciam ir beneficiar das megamanifestações da CGTP. O BE ultrapassou o meio milhão de votos e ganhou dimensão nacional, elegendo em metade dos círculos do Continente. O PCP subiu em votos e elegeu mais um deputado. Mas só juntos (num país sem tradição de frentes de esquerda) podem garantir maioria ao PS.
Agora, tudo está em aberto, com Sócrates a poder hesitar entre Portas e Louçã-Jerónimo. E os tempos que aí vêm são para quem gosta da política pura.
domingo, 20 de setembro de 2009
achismo
Não venham cá com os vossos factos que eu tenho as minhas suspeitas - eis Portugal cada vez mais assim. Já tínhamos os inspectores da Judiciária que falhavam uma investigação sobre factos e acabavam a vender livros sobre as suas suposições. Isso era a prática corrente - as vitórias morais no futebol eram a expressão mais popular dessa tendência. Há semanas, uma líder partidária, Manuela Ferreira Leite, decidiu dar base programática à coisa: "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há." O nacional-achismo passou a doutrina oficial.
Tão oficial que chegou a Belém. Belém acha-se escutado. Logo, Belém é e está a ser escutado. E o que faz um Presidente escutado? Num país menos virado para o etéreo, procurava-se o facto. O microfone, os gravadores, os espiões… Olhem, no Brasil - é só um exemplo para ficarmos dentro da nossa língua - um caso destes aparece nos jornais com a fotografia do agente que escutou e o comanditário da escuta ou, no pior dos casos, com a fotografia do "grampo", como eles chamam à aparelhagem espiã. Factos. Mas isso é em países materialistas.
Por cá, pelo Portugal do achismo, o Presidente chama o Lima e diz-se: "Eu acho." Isto é gente de muitas suspeitas e poucas palavras e Lima viu logo o filme todo. Vai a um café discreto e diz a um jornalista: "Eu acho." O jornalista espanta-se, naturalmente. Lima olha para todos os lados e sussurra: "E estou habilitado para poder dizer que o Presidente também acha."
É daquelas informações que têm de amadurecer em casco de carvalho durante 17 meses. Findo os quais, a manchete: "Belém acha!" Foi há um mês. Desde esse achamento, conheceram-se os seguintes não factos: o Presidente NÃO alertou a Procuradoria NEM os Serviços Secretos para investigarem; o Presidente NÃO alertou o Parlamento para se mobilizar contra o escândalo. A esses 'nãos' acrescente-se que os militares, tendo sido convidados pelo Presidente a passar o palácio de Belém a pente fino, NÃO encontram nada.
Ficou assim comprovadíssima a suspeita de Cavaco Silva. Como se sabe, o achismo vive numa nebulosa e alimenta-se de leves impressões - tivesse sido encontrado um pequeno facto e lá ia a tese de Belém por água abaixo. Felizmente, podemos continuar a achar, a suspeitar, a desconfiar. É um modo de vida como outro qualquer. Só peca quando descamba para a sua variante de apontar o "clima de medo que se vive." A frase destrói a tese. Se houvesse mesmo um clima de medo, eu acho, suspeito e desconfio que não havia tanta gente a apontá-lo.
Tão oficial que chegou a Belém. Belém acha-se escutado. Logo, Belém é e está a ser escutado. E o que faz um Presidente escutado? Num país menos virado para o etéreo, procurava-se o facto. O microfone, os gravadores, os espiões… Olhem, no Brasil - é só um exemplo para ficarmos dentro da nossa língua - um caso destes aparece nos jornais com a fotografia do agente que escutou e o comanditário da escuta ou, no pior dos casos, com a fotografia do "grampo", como eles chamam à aparelhagem espiã. Factos. Mas isso é em países materialistas.
Por cá, pelo Portugal do achismo, o Presidente chama o Lima e diz-se: "Eu acho." Isto é gente de muitas suspeitas e poucas palavras e Lima viu logo o filme todo. Vai a um café discreto e diz a um jornalista: "Eu acho." O jornalista espanta-se, naturalmente. Lima olha para todos os lados e sussurra: "E estou habilitado para poder dizer que o Presidente também acha."
É daquelas informações que têm de amadurecer em casco de carvalho durante 17 meses. Findo os quais, a manchete: "Belém acha!" Foi há um mês. Desde esse achamento, conheceram-se os seguintes não factos: o Presidente NÃO alertou a Procuradoria NEM os Serviços Secretos para investigarem; o Presidente NÃO alertou o Parlamento para se mobilizar contra o escândalo. A esses 'nãos' acrescente-se que os militares, tendo sido convidados pelo Presidente a passar o palácio de Belém a pente fino, NÃO encontram nada.
Ficou assim comprovadíssima a suspeita de Cavaco Silva. Como se sabe, o achismo vive numa nebulosa e alimenta-se de leves impressões - tivesse sido encontrado um pequeno facto e lá ia a tese de Belém por água abaixo. Felizmente, podemos continuar a achar, a suspeitar, a desconfiar. É um modo de vida como outro qualquer. Só peca quando descamba para a sua variante de apontar o "clima de medo que se vive." A frase destrói a tese. Se houvesse mesmo um clima de medo, eu acho, suspeito e desconfio que não havia tanta gente a apontá-lo.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Lehman Brothers
Há precisamente um ano deu-se a falência de um grande banco na América, o Lehman Brothers, que ia provocando o colapso geral do sistema financeiro internacional. Este foi o maior abalo financeiro desde a Grande Depressão, iniciada em 1929, e enregelou as trocas comerciais à escala global e os empréstimos às empresas não financeiras e às famílias. Foi o pontapé de saída para a primeira recessão global sincronizada de que há memória.
Esta falência produziu três efeitos: o reconhecimento reforçado do papel singular da banca no mundo económico em geral e a confirmação de que na economia capitalista de mercado nada funciona com um sector financeiro disfuncional; a resposta, rápida e convergente - como nunca acontecera antes a uma tal escala - de bancos centrais e governos, para evitar o pânico, estabilizar o sistema e permitir o regresso gradual à normalidade, com reforços de capital público aos bancos vulneráveis e de empréstimos a taxas de juro a preço de saldo; e, finalmente, a certeza de que é preciso reformar as regras de funcionamento e a regulação de toda a actividade financeira internacional, sob pena de voltarmos à mesma crise profunda daqui a alguna anos.
Em Portugal, a acção do Banco de Portugal e do ministério das Finanças foi rápida, suficiente e evitou o pior. Mas a conta final ainda está por apurar. Agora que foi lançada à discussão pública uma proposta de reestruturação do sistema de supervisão do nosso sector financeiro, convinha que todos aqueles que têm algo a dizer sobre o assunto,não fiquem convenientemente calados. Se o fizerem perderão qualquer legitimidade para se queixarem no futuro.
Empate técnico entre América e Ben Laden
Seis meses depois da sua primeira mensagem da era Obama, Ben Laden voltou a dirigir-se ao sucessor de Bush na Casa Branca. E para lhe sugerir que retire do Iraque e do Afeganistão, afirmando que os Estados Unidos, tal como aconteceu com a União Soviética, irão sair derrotados do conflito na Ásia Central. Mais: promete que, em caso de retirada, terminará com os ataques; de contrário manterá uma guerra de usura em todas as frentes possíveis. Colocada num site islâmico e divulgada poucos dias depois do oitavo aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001, a mensagem-vídeo de 11 minutos apela ao Presidente americano para se "libertar do medo e do terrorismo ideológico dos neoconservadores e do lobby israelita" que domina a Casa Branca. Explica ainda que os ataques de há oito anos, que fizeram quase três mil mortos em território americano, aconteceram para punir os EUA pelo seu apoio a Israel.
Analisada por peritos árabes em terrorismo, a mensagem tem algo novo: não contém ameaças de atentado, não refere os "mártires" do 11 de Setembro e revela fragilidade por parte do líder da Al-Qaeda, o que indicia que este pode estar na área onde as tropas paquistanesas desenvolvem operações contra os radicais, ou seja, no vale de Swat. E esta última mensagem pode bem ser uma espécie de trégua do líder terrorista. Porque, afinal, oito anos após o atentado mais mortífero da História, continuamos com um empate técnico. Nem a América voltou a ser atacada no seu território, nem o líder da Al-Qaeda foi capturado.
Esta falência produziu três efeitos: o reconhecimento reforçado do papel singular da banca no mundo económico em geral e a confirmação de que na economia capitalista de mercado nada funciona com um sector financeiro disfuncional; a resposta, rápida e convergente - como nunca acontecera antes a uma tal escala - de bancos centrais e governos, para evitar o pânico, estabilizar o sistema e permitir o regresso gradual à normalidade, com reforços de capital público aos bancos vulneráveis e de empréstimos a taxas de juro a preço de saldo; e, finalmente, a certeza de que é preciso reformar as regras de funcionamento e a regulação de toda a actividade financeira internacional, sob pena de voltarmos à mesma crise profunda daqui a alguna anos.
Em Portugal, a acção do Banco de Portugal e do ministério das Finanças foi rápida, suficiente e evitou o pior. Mas a conta final ainda está por apurar. Agora que foi lançada à discussão pública uma proposta de reestruturação do sistema de supervisão do nosso sector financeiro, convinha que todos aqueles que têm algo a dizer sobre o assunto,não fiquem convenientemente calados. Se o fizerem perderão qualquer legitimidade para se queixarem no futuro.
Empate técnico entre América e Ben Laden
Seis meses depois da sua primeira mensagem da era Obama, Ben Laden voltou a dirigir-se ao sucessor de Bush na Casa Branca. E para lhe sugerir que retire do Iraque e do Afeganistão, afirmando que os Estados Unidos, tal como aconteceu com a União Soviética, irão sair derrotados do conflito na Ásia Central. Mais: promete que, em caso de retirada, terminará com os ataques; de contrário manterá uma guerra de usura em todas as frentes possíveis. Colocada num site islâmico e divulgada poucos dias depois do oitavo aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001, a mensagem-vídeo de 11 minutos apela ao Presidente americano para se "libertar do medo e do terrorismo ideológico dos neoconservadores e do lobby israelita" que domina a Casa Branca. Explica ainda que os ataques de há oito anos, que fizeram quase três mil mortos em território americano, aconteceram para punir os EUA pelo seu apoio a Israel.
Analisada por peritos árabes em terrorismo, a mensagem tem algo novo: não contém ameaças de atentado, não refere os "mártires" do 11 de Setembro e revela fragilidade por parte do líder da Al-Qaeda, o que indicia que este pode estar na área onde as tropas paquistanesas desenvolvem operações contra os radicais, ou seja, no vale de Swat. E esta última mensagem pode bem ser uma espécie de trégua do líder terrorista. Porque, afinal, oito anos após o atentado mais mortífero da História, continuamos com um empate técnico. Nem a América voltou a ser atacada no seu território, nem o líder da Al-Qaeda foi capturado.
domingo, 13 de setembro de 2009
A CRIAÇÃO DO DINHEIRO

Quem cria o dinheiro? A resposta está em Money as Debt , filme de 47 minutos de Paul Grignon. O DVD em inglês pode ser encomendado aqui . Para assistir ao filme dobrado em castelhano clique em Diñero es Deuda . É melhor do que ouvir certos comentaristas económicos que peroram na TV portuguesa...
Se quiser aprofundar o tema leia também:
O banco central dos EUA: O templo e os seus segredos sujos
Custos, malfeitorias e perigos do dólar
Segredos do dinheiro, dos juros e da inflação .
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